Senhores Atenienses, Ouçam!

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Perdendo o Bom Senso




por Olavo de Carvalho

Assustado com o número de mensagens falsas altamente comprometedoras que circulam em seu nome na internet, o deputado Jean Wyllys lançou do alto da sua tribuna na Câmara as perguntas desesperadas: "Será que as pessoas perderam todo o senso? Que é que está acontecendo neste país?"

São perguntas que faço há pelo menos vinte anos. Mas não foi só nisso que antecedi o sr. Wyllys. Também foi vinte anos atrás que o meu nome passou a circular como signatário de mensagens nazistas, terroristas, racistas, anti-semitas, o diabo. A isso veio acrescentar-se um caudal inesgotável de lendas urbanas que me apresentavam como espião da CIA ou do Mossad, como beneficiário de verbas do Partido Republicano, como agente comunista enrustido, como mentor secreto do Opus Dei e dos skinheads e, last not least, como guru de uma perigosa seita gnóstica.

 O sr. Wyllys está choramingando por coisa pouca. Em matéria de character assassination, ele mal sentiu o gostinho de um veneno que há décadas me é servido em doses oceânicas. Mas a nossa diferença não é só quantitativa. No caso dele, a mídia solícita e um punhado de ONGs correram para desmentir as mensagens, passando a reputação do deputado por um lava-rápido do qual saiu brilhando com o fulgor beatífico das vítimas inocentes; ao passo que, quando o atingido era eu, até figuras mais conhecidas como os srs. Leandro Konder, Emir Sader e Mário Augusto Jacobskind, à esquerda, ou os srs. Rodrigo Constantino, Anselmo Heydrich e Janer Cristaldo, à direita, se apressaram em legitimar o acervo lendário anônimo, aprimorando-o e acrescentando-lhe novas invencionices de sua própria criação.

A coisa avolumou-se a tal ponto que ultrapassou toda possibilidade de contestação ou revide. Embora o número de pessoas de nível universitário envolvidas nessa operação subisse a vários milhares, caracterizando um fenômeno sociológico de dimensões alarmantes, o sr. Wyllys achou mais escandaloso e mais significativo o fato de que tratamento similar lhe fosse aplicado homeopaticamente, em dose única e diluição infinitesimal.

Quando ele pergunta o que há de errado na mente dos brasileiros, deveria aferir antes de tudo o seu próprio senso das proporções. De qualquer modo, as perguntas valem por si. A vida na sociedade baseia-se na aceitação geral e costumeira de certos princípios tácitos, que servem de critério de julgamento nos instantes de confrontação e dúvida. É o que Antonio Gramsci, dando ao termo uma conotação peculiar, denominava "senso comum".

O próprio Gramsci reconhecia que o senso comum predominante nas nações ocidentais refletia, grosso modo, a cosmovisão cristã, mesmo em versão laicizada e amputada de quaisquer referências religiosas.

A demolição desse senso comum tornou-se desde os anos 60 o objetivo prioritário do combate cultural revolucionário. Mas nem de longe imaginem que "combate cultural" significa uma luta de ideias, uma disputa entre eruditos. Não significa nem mesmo propaganda ou "doutrinação".

As pessoas que me escrevem queixando-se da "doutrinação esquerdista" que seus filhos recebem nas escolas, venho há anos tentando explicar que os bons tempos da doutrinação e da propaganda já acabaram, que há décadas o sistema educacional ameaça a integridade mental das nossas crianças com algo de bem mais perverso e temível: um conjunto de técnicas de manipulação comportamental que permitem moldar ou modificar atitudes e hábitos  diretamente, sem passar pela inculcação de idéias e crenças, isto é, sem qualquer apelo ao pensamento consciente.

Já falei disso no meu livro de 1996, O Jardim das Aflições, e recentemente a Vide Editorial publicou, a conselho meu, a obra-padrão sobre o assunto: Maquiavel Pedagogo ou O Ministério da Reforma Psicológica, de Pascal Bernardin.

 A doutrinação comunista clássica baseava-se nas artes da dialética, da retórica e da propaganda, e procurava inculcar na mente do público uma concepção do mundo, da história e da política, o que não era possível sem mostrá-la como alternativa a alguma concepção concorrente, alimentando discussões.     

As novas técnicas não têm nada a ver com retórica e propaganda. Baseiam-se inteiramente nas chamadas "ciências da gestão": engenharia social, marketing, gerenciamento, psicologia comportamental, programação neurolinguística, Storytelling, Social Learning e Reality Building.

Um dos efeitos mais diretos da aplicação dessas técnicas em escala de massas é a disseminação epidêmica de um estado crônico de "dissonância cognitiva", um quadro mental descrito pioneiramente por Leon Festinger em 1957. Dissonância cognitiva é conflito entre as crenças e a conduta.

Dissonâncias cognitivas temporárias são normais e até desejáveis no desenvolvimento humano. Quando o quadro se torna crônico, rompe-se a unidade da consciência moral e o indivíduo tem de buscar fora dele mesmo, na aprovação grupal ou na repetição de slogans ideológicos, um sucedâneo da integridade perdida. Ao espalhar-se entre a população, a incapacidade de julgar realisticamente a própria conduta resulta na queda geral do nível de moralidade, assim como na disseminação concomitante da criminalidade e das condutas destrutivas, mas isso, segundo os engenheiros sociais, é um preço módico a pagar pela dissolução do senso comum e pela implantação dos novos modelos de conduta desejados.

Antes de posar de vítima da falta de consciência moral dos outros, o sr. Wyllys deveria perguntar se o próprio movimento que ele representa não tem utilizado abundantemente essas técnicas para modificar a conduta de crianças, adolescentes e adultos.
        

domingo, 31 de março de 2013

Por que procurais entre os mortos aquele que vive?


por Ana Isabel

Por que procurais entre os mortos aquele que vive? Assim falaram os anjos do Senhor às mulheres que foram visitar o lugar onde haviam sepultado Jesus, o Messias.
O sepulcro que guardava o corpo de Cristo estava vazio naquela manhã de domingo. A pedra foi removida. A morte não mais preenchia aquele lugar. Nenhum vestígio da suposta derrota vivida na sexta-feira anterior podia ser percebido. Nada naquele lugar podia atestar o padecimento e a morte do Messias.   
Revelações não faltaram ao povo de Israel sobre o sofrimento e a morte e ressurreição de Cristo. Desde Gêneses, foi dito à serpente “porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. A palavra de Deus, através de seus profetas, também estabeleceu, ao longo dos anos em que foi escrito o velho testamento, os alicerces dessa certeza; pois, como registrou Isaías, “o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto”. O próprio Jesus os legitimou e anunciou essa verdade na descrição do sinal de Jonas, “o Filho do homem passará três dias e três noites no coração da terra”.
No novo testamento, os discípulos compreenderam tais promessas e creram que Jesus falava a verdade. Simão Pedro mesmo o confirmou, quando revelou “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”.  
Desde a eternidade, tudo foi preparado e minimamente organizado para a morte e ressurreição de Cristo. Não havia motivo para qualquer sombra de dúvida a respeito desses eventos. O Messias, o perfeito, o cordeiro de Deus, Jesus, cumpriria cabalmente cada um dos planos do Altíssimo. E Ele o fez. Por isso, a pergunta dos anjos era tão retumbante: por que procurais entre os mortos aquele que vive? Ou ainda, por que não acreditar na palavra de Cristo, que revelou sua morte e ressurreição? Por que não confiar na infalibilidade de Jesus, cujo poder tantas vezes foi provado? Por que não descansar na promessa do Filho do Homem de vitória sobre a morte?    
A ausência de Jesus naquele sepulcro tinha um significado profundo na vida daquelas mulheres e nas do mundo inteiro. Ali estava a certeza de que teríamos o amanhã. Porque Jesus não estava entre os mortos, era assegurada a vida eterna para todo aquele que nele cresse. Naquela ausência estava garantida a nossa eternidade na presença de Deus, pois, a ressurreição de Cristo era o penhor da nossa própria. Era a concretização do plano de reconciliação de Deus com o homem, após a rebeldia praticada no Éden. Era a vitória sobre a morte que grassara a humanidade quando foi comido o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Mas, a pergunta reverbera até hoje: por que procurais entre os mortos aquele que vive? A páscoa é comemorada, pela maior parte dos homens, de maneira absurdamente contrária ao seu verdadeiro significado. Em lugar de Jesus, o coelhinho da páscoa, os ovos de chocolate e o bacalhau da sexta-feira, que chamam santa. Em lugar de relembrar seu sacrifício na cruz e ressurreição, muito vinho faz os homens esquecerem o mais importante: Cristo crucificado. Tudo isso é nada mais que uma busca pela satisfação interior, que só Cristo pode dar. No entanto, estão procurando no lugar errado. Estão, anualmente, procurando entre os mortos aquele que vive.
Mas, ao contrário, temos que ter em mente sempre o sacrifício vicário do Servo do Senhor. A santa ceia, nossa páscoa, tem essa função. Em memória de Cristo, comemos o pão e bebemos o vinho. Gratos a Deus, pelo sacrifício de Jesus na cruz e por sua ressurreição. Por isso, podemos cantar, como diz uma música bem conhecida nossa, Porque Ele vive, posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há. Pois, eu bem sei, eu sei que a minha vida está nas mãos de meu Jesus, que vivo está.

terça-feira, 26 de março de 2013