Senhores Atenienses, Ouçam!

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

E VOCÊ, O QUE ACHA DE TATUAGENS?



Você Pergunta: Sou cristão(a), servo(a) de Deus e tenho um sonho desde minha adolescência de fazer uma tatuagem. Nada extravagante. Muitas pessoas dizem que fazer tatuagem é pecado, inclusive na minha igreja muitos pensam assim. Gostaria de saber se é pecado um cristão fazer tatuagem e se a Bíblia condena isso?

Caro leitor, o assunto tatuagem sempre gerou muita polêmica dentro da igreja. Alguns utilizam para dar embasamento bíblico à proibição do crente fazer tatuagens o texto de Levítico 19.28, que diz: “Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o SENHOR.”

Conforme podemos observar claramente nesse texto, não há uma indicação sobre não fazer tatuagens ou marcas de qualquer tipo, mas uma indicação pontual ao povo de Israel que não copiasse o costume de nações pagãs de sua época, que faziam marcas e feridas na pele em adoração aos mortos. Assim, esse texto não pode ser usado para embasar uma proibição total da prática de fazer tatuagens. O texto só pode ser usado naquilo que se refere. Esse é o único texto bíblico que faz alguma menção sobre tatuagens. Fora esse não temos textos bíblicos explícitos que proíbam e nem que autorizam o uso de tatuagens.

Sim e não. Digo isso porque toda atitude do cristão deve ser refletida no contexto completo da Palavra de Deus e não apenas no fato de a Bíblia proibir ou não algo em específico. Por isso, antes de decidir fazer sua tatuagem, creio ser necessário pensar alguns pontos para que essa tatuagem não venha a se transformar em motivo de problemas em sua vida e venha a ser do desagrado a Deus.

(1) Tudo deve ser feito para a glória de Deus. Em 1 Coríntios 10. 31 encontramos um princípio a ser aplicado em todas as nossas ações: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.”. Se essa tatuagem que você quer fazer é apenas com um intuito egoísta, se é apenas um ato de rebeldia contra algo ou alguém, se é um desejo originado em algo pecaminoso, não faça, pois não estará glorificando a Deus nisso. A motivação daquilo que fazemos conta muito para Deus. Uma motivação errada te levará a um caminho errado, que não glorificará o Senhor no final das contas. Faça essa pergunta a si mesmo: A minha atitude de ter uma tatuagem glorificará a Deus?

(2) Que tipo de desenho você quer fazer? Existem desenhos que carregam simbologias fortes que não caberiam ao cristão carregar em seu corpo. Por isso, se decidir se tatuar deve observar se o tipo de desenho é condizente com os ideais bíblicos. Conheço um cristão que, por ignorância e falta de reflexão e sabedoria, tatuou palavras em outra língua, que ele achava que tinham um significado legal, mas que, na verdade, eram citações reprováveis. Quando descobriu era tarde demais! Por isso, é preciso ter cuidado. Pense: O desenho que quero fazer está condizente com os valores cristãos bíblicos?

(3) Sua tatuagem vai causar escândalo? Apesar de ser algo subjetivo essa questão de causar escândalo, Paulo nos deixou um bom modo de refletir sobre a nossa liberdade cristã, principalmente em relação ao próximo. Em 1 Corintios 8.1-13 Paulo refletiu sobre a sua liberdade diante das pessoas mais fracas na fé. Por que não deveríamos também refletir sobre isso? Ele fez duas conclusões interessantes que, penso eu, podem dar embasamento para uma tomada de decisão mais madura com relação às tatuagens: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos (…) E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.” (1Co 8. 9; 13). O referencial do reino de Deus é o “nós” e não o “eu”, por isso, pense se essa tatuagem não trará mais problemas que bênção em sua vida e comunidade. Então, depois de refletir bem decida se fará ou não.

(4) Quantos anos você tem? Normalmente no calor da rebeldia de jovens e adolescentes aparece esse desejo de fazer uma tatuagem com objetivos nada cristãos. Principalmente pela influência de amigos, da mídia, da moda, do momento, etc. Por isso creio ser de bom grado que pessoas ainda jovens pensem muito bem, consultem seus pais e reflitam. Lembre-se que a tatuagem é permanente e pode te prejudicar inclusive profissionalmente no futuro, pois existem empresas que aplicam restrições – veladas – a pessoas tatuadas. Por isso, pense bem se vale a pena tanto risco por causa de um desenho na pele! Na dúvida, espere mais um pouco e amadureça a ideia.

(5) O cristão deve respeitar a lei. Se você for menor de idade existe uma lei específica que tem restrições a você fazer tatuagens. Se estiver a fazer algo escondido, contrário à lei, está errado. Se a sua decisão é por fazer a tatuagem, que seja algo aberto, legal. Aquela história de aparecer em casa tatuado “do nada” apenas para provocar os pais não indica uma atitude cristã. Certamente irá se arrepender no futuro. Pense que tudo tem a sua hora certa, o seu momento certo e, às vezes, no futuro, você acaba repensando e decide não fazer. Tenho amigos que estavam loucos para fazer tatuagem porque é “modinha”, mas depois de refletirem e deixar o tempo passar acabaram desistindo. Pode acontecer.

(6) As suas dúvidas estão maiores que as certezas? A Bíblia diz algo bem interessante: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração…” (Cl 3. 15). Árbitro é aquele que é capaz de julgar e dar a diretriz correta a respeito de algo. Assim, a Bíblia aponta a paz de Cristo como um bom referencial para acertarmos em questões difíceis. Normalmente a dúvida provoca a falta de paz em nosso coração. Se a dúvida está maior que a certeza, pode ser que Deus não esteja se agradando com essa tatuagem ou que Deus está te preparando melhor para fazer uma melhor escolha de tatuagem que a atual. Em última instância, sempre ouça a voz de Deus e não a sua.

CONCLUSÃO


Creio que os pontos citados acima fornecem bons referenciais para uma tomada de decisão correta com relação a fazer ou não uma tatuagem. Usar a liberdade que Cristo nos deu da melhor forma possível, seja para fazer uma tatuagem legal ou para escolher não fazer uma tatuagem, é o que Deus espera de cada um de nós. Por isso, antes de fazer faça uma reflexão imparcial e sincera sobre a questão é só depois decida.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME


O NOME

Para os judeus, a idéia de “nome” é algo muito mais importante e representa bem mais que para nós, ocidentais. Para eles (e para os orientais em geral, acredito) quando falo do nome de alguém, estou me referindo à própria pessoa que carrega este nome.

Isto é tão importante na cultura dos escritores da Bíblia que, para eles, quando dou o nome para alguém, isto quer dizer que tenho uma posição de autoridade sobre esta pessoa. Por exemplo, Adão deu nomes aos animais. Os pais dão nomes a seus filhos. R.C. Sproul nos diz que somente Deus poderia nomear aquele bebê nascido da Virgem, a encarnação de Seu Filho. Me parece que ele está certíssimo. Que autoridade humana estaria sobre Alguém que carrega o governo em seus ombros (Is 9.6)?

Outro caso importante é quando acontece de Deus mudar o nome de alguém. Nesta situação, é como se ele estivesse redefinindo o que aquela pessoa é. Abrão, o “pai exaltado”, torna-se Abraão, o “pai de muitas nações”. É maravilhoso saber que receberemos um “novo nome” (Ap 2.17) na consumação de todas as coisas, quando seremos glorificados (1Co 15.52; Rm 8.30). Isto leva muitas pessoas a pensarem que não conseguiremos reconhecer os irmãos no céu, mas, à luz do que estamos estudando, me parece que este novo nome representa nossa transformação em cidadãos celestiais. De certa forma, seremos as mesmas pessoas, porém seremos como o Cristo ressurreto é (1Jo 3.2), mas também pessoas diferentes, sendo definidas por nomes diferentes. Não estou dizendo que não receberemos nomes novos, literalmente falando, mas digo que existe uma razão maior e mais gloriosa – como no caso de Abraão.

Vemos também essa peculiaridade do “nome” na Bíblia quando os construtores da Torre de Babel querem “fazer um nome” (Gn 11) para eles. Aqueles homens queriam com isso serem famosos ou reconhecidos, opondo-se desta forma ao nome de Deus. E opor-se ao nome de Deus certamente é bem mais que simplesmente opor-se a uma junção de letras. É voltar-se contra o próprio Criador.

No Novo Testamento podemos ver este padrão se repetindo com Jesus. Os autores do Novo Testamento não fazem diferença entre Jesus e o Nome de Jesus, o que os leva a personificar o Nome. Lucas diz que os apóstolos foram humilhados por causa do Nome (At 5.41), João nos fala de missionários motivados pelo Nome (3Jo 7), e Pedro chega afirmar que o Nome curou certo homem (At 3.16)!

Em Filipenses 2, quando Paulo trata da exaltação de Cristo como Senhor, podemos perceber que esta “teologia do nome” também está presente. O Apóstolo nos diz que após sua ressurreição Jesus recebeu o nome que está acima de todo nome (Fl 2.9). Esta é uma afirmação gloriosa! Não existe qualquer nome (isto é, pessoa) acima do nome de Jesus. Como resultado de seu penoso trabalho, aquele carpinteiro, aquele nazareno, aquele que nem tinha onde dormir e de quem escondíamos o rosto, foi elevado à mais alta posição possível! Acredito que não estou errado ao dizer que, pelo menos durante o ministério terreno de Cristo, “Jesus” era o nome que está abaixo de todo nome.

Mas agora tudo mudou! Quando Jesus nos diz que recebeu toda a autoridade nos céus e na terra (Mt 28.18), ele está dizendo que seu Nome está acima de todos os nomes. Ninguém pode fazer nada sem a permissão de Jesus! E é diante deste nome, Paulo continua, que todos se prostrarão (Fl 2.10).

E, prostrados, todos (inclusive os incrédulos) terão de admitir que realmente não existe alguém acima de Jesus. E como elas farão isso? Chamando-o não apenas de Jesus, mas de um nome que o define como Soberano sobre a vida de cada indivíduo e também sobre todo o universo. Todos os incrédulos terão de admitir que aquele Jesus, que eles tanto zombaram e desprezaram, tem também o nome de Senhor.
TERCEIRO MANDAMENTO
“Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20:7).
A finalidade do terceiro mandamento é afirmar a santidade de Deus. Não podemos profaná-lO e nem tratá-lO irreverentemente. Não se deve pensar em Deus ou em seus mistérios sem a devida sobriedade e reverência.
Na Bíblia, o nome está intimamente ligado à pessoa, indicando o seu próprio caráter, ou ainda denotando a posição e função de quem traz o nome (Êx 23.21).
O terceiro mandamento nos diz que quando lembramos do nome de Deus, devemos preparar-nos para render-lhe culto porque as verdades que sabemos sobre alguém são despertadas quando pronunciamos o seu nome.
O VALOR DO TERCEIRO MANDAMENTO
No Antigo Testamento, o castigo para o mau uso do nome de Deus era o apedrejamento (Lv 24.16). Percebemos que essa proibição estava ligada ao juramento falso, que era usar o nome de Deus para atestar uma declaração mentirosa (Lv 19.12).
Esse mandamento não exclui a recorrência ao nome do Senhor em juramentos verdadeiros e solenes (2Sm 2.27; Jr 4.2; Nm 30.3; Js 7.17; Jo 9.24; 2Co 1.23). Podemos invocar o nome de Deus nas angústias. Também podemos invocar Seu nome clamando por socorro e salvação (Sl 50.15).
Mt 6.9: ‘Santificado seja o teu nome…”. Deus já é santo, então significa que somos santificados quando deixamos o Nome de Deus infundir em nossa natureza aquilo que Ele traz (santidade, cura, autoridade, provisão etc) – Rm 10.10-13.
Hans Ulrich Reifler, em seu livro: “A Ética dos Dez Mandamentos” (editora Vida Nova), diz à respeito do terceiro mandamento: “Muitas pessoas abusam do nome do Senhor inconscientemente. Na cultura brasileira, as expressões ‘meu Deus’, ‘Deus me livre’, ‘se Deus quiser’, ‘Deus é testemunha’, ‘juro por Deus’ tornam-se tão freqüentes, e até populares, que todos acabaram se acostumando. Mas isso não justifica sua perpetuação. Não estamos postulando uma quebra da cultura, mas, antes uma transformação pela presença real de Cristo em nossas vidas. O problema não está no uso dessas palavras, mas na atitude do coração. Quando bem pensadas, tais expressões constituem uma oração, manifestam nossa confiança no Senhor e testificam a sinceridade da nossa fé. Por outro lado, não resta dúvida de que o uso impensado dessas frases não ajuda em nada; pelo contrário revela leviandade para com as coisas sagradas, e é isto o que está em pauta no terceiro mandamento.”
FORMAS “SUTIS” DE TOMAR O NOME DO SENHOR EM VÃO:
Na Bíblia “vão” significa “vazio”, “sem conteúdo”, “sem valor”, “não produtivo”. Pronunciar o nome de Deus em vão demonstra um desprezo para com o Deus Todo-Poderoso, que é um Deus de plano e propósito.
1. Com irreverência – Ef 5.3,4: “…palavras vãs ou chocarrices…”. São todas aquelas formas de falar, aquelas frases irreverentes que usamos que incluem o nome santo de Deus. Como é comum e inconseqüente soltarmos um “meu Deus do céu”, “pelo amor de Deus”. Se queremos realmente dizer aquilo, então não tem problema. Mas se for apenas uma “força de expressão” ou comentário descuidado, aí é outra coisa.
2. Com hipocrisia (Is 48.1) –  São pessoas que se chamam pelo nome de Deus, mas não vivem sinceramente na presença de Deus. Professar e cantar publicamente, mas em casa não viver a verdade que confessa.
3. Como uma falsa imagem – Usamos em vão o nome de Deus quando usamos Deus como espantalho na educação dos filhos, quando, por exemplo, ameaçamos dizendo: “Deus está te vendo! Deus vai te castigar!”.
•    Com esses abusos do nome de Deus, muitas pessoas foram feridas na sua infância.  A imagem curadora de Deus se transforma numa imagem ameaçadora, vingativa e muito exigente.
4. Como forma de manipular – Quando se usa o nome de Deus para manipular as massas:
a. Política (“guerras santas”)
b. Religião (manipulação; intimidação)
c. Intolerâncias
d. Na igreja: o famoso “Deus me falou”!
5. Como um chavão – Quando alguém usa o nome de Deus ou de Jesus Cristo como obscenidades – ou como expressões convenientes de raiva, frustração ou medo –, essa pessoa ainda não teve nenhum vislumbre real da majestade, santidade e maravilha de Deus.
Jamais devemos usar o nome de Deus de maneira frívola ou mecanicamente.
O OUTRO LADO DA MOEDA
Para cada assertiva negativa, existe um conceito positivo por trás. Quando um pai diz: “não fique na frente dos carros”, ele está dizendo: “não quero que se machuque. Quero você vivo e feliz!”.
A Bíblia não nos proíbe pronunciar o (s) nome (s) de Deus. Ela nos encoraja a invocá-lo de coração e com temor:
João 14:13: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”.
O nome de Jesus não deve ser pronunciado como uma palavra mágica, e nem somente como uma forma de terminar uma oração com estilo. Com esse nome, fazemos ao Pai uma petição e assinamos com o Nome daquele que tem autoridade nos céus e Terra, sabendo que o Pai não negará nada ao Seu Filho primogênito.
Colossenses 3:17: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.
Aqui somos colocados frente à responsabilidade que esse nome traz àqueles que o carregam. Quando você diz: “sou um cristão”, você está dizendo que é como Cristo.
2 Timóteo 2:19: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”.
Salmos 68:4: “Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. SENHOR é o seu nome, exultai diante dele”
SOLI DEO GLORIA! 


quinta-feira, 18 de julho de 2013

A VIDA PODE TER SIGNIFICADO SEM DEUS?



Um dos meus desenhos favoritos Far Side descreve um homem de infeliz aparência inclinando-se sobre um sofá e segurando uma engenhoca bizarra que acabou de puxar debaixo de uma das almofadas. A legenda diz: "Edgar encontra o seu propósito."

Os seres humanos naturalmente procuram propósito e significado na vida. De uma perspectiva cristã, a estranheza não é  Edgar procurar seu propósito, mas sim em descobrir isso dentro de um sofá. Nossas vidas têm qualquer significado se não há Deus?

O significado de "significado"

Antes de explorar essa questão, devemos especificar o que estamos falando quando nos referimos ao "sentido da vida". Que tipo de significado que queremos dizer? Sugiro que quando nós consideramos "o sentido da vida", temos em vista, pelo menos, três conceitos: propósito, importância e valor.

Em primeiro lugar, queremos saber se as nossas vidas têm um propósito: se elas estão voltados para um objetivo ou fim. A geladeira tem um propósito fundamental: é para manter as coisas frias. Eu tenho um objetivo fundamental também? Existo eu para alguma coisa?

Em segundo lugar, queremos saber se as nossas vidas têm um significado: se elas fazem parte de um todo maior. No famoso quadro da Última Ceia de Leonardo da Vinci, o discípulo Thomas é retratado com um único dedo levantado. Nós estamos interessados ​​no significado desse elemento da pintura. Gostaríamos de saber, entre outras coisas, o que contribui para a pintura como um todo. Uma pergunta semelhante surge sobre as nossas vidas. O que é que a minha vida contribue para o universo como um todo? O que faz valer a pena, no grande esquema das coisas?

Em terceiro lugar, queremos saber se as nossas vidas têm valor. Minha vida vale a pena?  É melhor viver do que não viver? É o mundo um lugar melhor para ter a minha vida?

Nossas vidas têm significado, elas podem ter um propósito, importância e valor, se Deus não existe?

Significado de Fora

Existem basicamente duas maneiras de uma vida humana poder possuir significado. Poderia ter um significado conferido a partir do exterior, o que poderíamos chamar de objetivo em oposição ao significado subjetivo. Alternativamente, poderia ter um significado que vem de dentro, um significado que é auto-atribuído e auto-determinado. Vamos considerar cada opção de cada vez.

Na visão cristã, é fácil ver como a vida em geral, e a vida humana individual, têm objetivos em todos os três sentidos definidos acima. Nossa vida teria um propósito, definido e revelado por nosso Criador. Uma das melhores declarações sumárias já formuladas vem do Breve Catecismo de Westminster: "O fim principal do homem [isto é, o nosso maior objetivo] é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre." Além disso, nossa vida teria significado como parte do plano sábio e soberano de Deus para a sua criação. E, como criaturas feitas à imagem de Deus, destinado a comunhão com Deus e uns com os outros, nossas vidas teriam um enorme valor.

Honestamente será dizer, nada disto faz sentido em uma visão ateísta. Não haveria nenhum Criador pessoal transcendente para dar significado à nossa existência. Então, o que mais poderia dar significado objetivo em nossas vidas?

É difícil ver o que está disponível para o ateu e suas opções viáveis. Não temos espaço aqui para todas as possibilidades, mas parece que nenhum significado de fora teria que vir de qualquer coisa que dê crédito a nossa existência. A moderna história ateísta é que os seres humanos são o produto de processos evolutivos naturalistas: evolução cósmica (a formação de sistemas solares ao longo de bilhões de anos após um evento fundamental, como o Big Bang), seguido por evolução biológica (o desenvolvimento gradual de formas de vida complexas de formas de vida elementares através de uma variação natural e seleção).

Deixando de lado a questão de saber se esta história é cientificamente crível, vamos considerar se os processos evolutivos naturalistas poderiam, em princípio, dar sentido à vida em qualquer dos sentidos que temos observado. O problema imediato é que a evolução (como ateus concebem) é totalmente irracional e sem direção. Ela não tem nenhum propósito, sem finalidade, sem objetivo. Não é dirigida em qualquer lugar. Evolução não tem um plano, não se importa com um plano que poderia contribuir com uma parte significativa. A evolução não faz juízo de valor, não seleciona um curso sobre o outro, porque é mais valioso ou digno. Evolução, portanto, não oferece base para o significado da vida humana. Do ponto de vista evolutivo, a existência do Homo sapiens não é mais ou menos significativa do que a existência de um  entulho em uma cratera em Marte.

Não tome minha palavra para ela. Esta é uma conclusão que muitos ateus modernos têm atraído. Bertrand Russell escreveu que o universo como ele entendeu é "inútil" e "vazio de sentido"; toda a soma de esforços humanos são "destinados à extinção na vasta morte do sistema solar" ("Adoração de um homem livre", 1903).

Richard Dawkins expressou a mesma opinião: "O universo que observamos tem precisamente as propriedades que deveríamos esperar. Nenhum projeto, nenhum propósito, nenhum mal e nenhum bem, nada, mas cega, impiedosa indiferença" (Rio Out do Éden, Basic Books, 1995, p. 133).

William Provine coloca a questão claramente: "Deixe-me resumir a minha opinião sobre o que a biologia evolutiva moderna nos diz em  alto e bom som...Não há deuses; Não há forças meta-dirigida de qualquer tipo; Não há fundamento último para a ética; Ñão há sentido último da vida, e não há livre-arbítrio para os seres humanos"                  (Darwinismo:? ciência ou filosofia naturalista "Origins Research 16:01 (Fall / Winter 1994)).

Alex Rosenberg é ainda mais direto ao ponto: "Qual é o propósito do universo? Qual é o sentido da vida? A história tem qualquer significado ou propósito? É cheia de som e fúria, significando nada?.?.?" ( O Guia do ateu à realidade, WW Norton & Company, 2011, pp 2-3). Rosenberg afirma que um ateu cientificamente informado deve ser um niilista quando vê o propósito, importância e valor.

Exemplos de tais declarações podem ser multiplicados. É justo dizer que os teístas e ateus tendem a concordar com o seguinte: se não há Deus, então, a vida humana não tem nenhum significado objetivo. Mas será que o ateu tem outra opção?

Significado de Dentro

Muitos ateus vão admitir que, se Deus não existe, então o universo e a vida humana não tem nenhum significado objetivo. Mas eles vão adicionar rapidamente que não devemos concluir que as nossas vidas não têm qualquer tipo de significado. Eles sugerem que somos capazes de dar sentido à vida, de dar significado em nós mesmos. Uma vez que não há nada fora de nós que poderia atribuir significado para as nossas vidas, algum significado deve vir de dentro de nós, como indivíduos ou como sociedade. Como Stanley Kubrick certa vez: "O próprio sentido da vida força o homem a criar o seu próprio significado."

Podemos encontrar um exemplo ateu dizendo algo assim:.. "Eu escolhi a comprometer minha vida para descobrir uma cura para o câncer. É minha decisão pessoal, ao invés de o decreto de alguma divindade, que dá significado a minha vida e propósito também, de fato, tem um objetivo: é a meta que determinei para ela. Minha vida é importante porque eu fiz isso importante, é valiosa porque eu mesmo valorizei. ".

Em face disso, isso parece bastante plausível, mesmo atraente. Por que não conseguimos fazer nossas vidas significativas, optando por viver em determinadas maneiras, optando por abraçar certos objetivos dignos? Infelizmente, para o ateu, essa idéia enfrenta duas acusações graves.

Em primeiro lugar, ele sofre de um problema de arbitrariedade. Se o sentido da vida é subjetivamente determinado, então qualquer coisa pode tornar-se o sentido da vida de acordo com as preferências pessoais e predileções. Sentado o dia todo comendo chocolates e jogando vídeo game poderia muito bem ser o sentido da vida, como encontrar curas para doenças. Uma pessoa suicida teria direito de fazer do sentido de sua vida a destruição de sua vida. Pior ainda, uma pessoa homicida teria direito de fazer do sentido de sua vida a destruição de outras vidas.

A segunda objeção surge a partir do que tem sido chamado de o problema de inicialização. Esse desafio é enfrentado por qualquer sistema que deverá iniciar e manter-se sem qualquer ajuda externa. Assim como é impossível para você levantar-se do chão por seus próprios meios, de modo que parece impossível para você conferir sentido em sua própria vida, se a sua vida não tem sentido desde o início (se o significado de-fora ou significado de-dentro). Se a sua vida não tem sentido, para começar, como podem qualquer de suas escolhas serem significativas? Como escolhas significativas poderiam surgir de uma vida sem sentido?

Cornelius Van Til brilhantemente captou a incoerência e absurdo de tal visão por compará-la a um homem feito de água em um infinito oceano sem fundo da água, tentando sair da água através da construção de uma escada de água (ver Van Til, O Defesa da Fé, P & R, 1972, p. 102). Nada poderia ser mais fútil?

Neste momento, o ateu poderia responder que essas objeções se aplicam apenas a uma visão individualista do sentido da vida. Não é que as pessoas conferem sentido às suas próprias vidas, mas sim que a sociedade humana como um todo confere sentido à vida humana. Não é preciso muita reflexão, no entanto, para ver que essas duas objeções podem ser reformuladas para aplicar tão bem para a versão social do significado-de-dentro da visão.

Os ateus têm vidas significativas também - "Mas eu sou ateu e minha vida é muito significativa!"

Esta é a réplica que eu encontrei na maioria das vezes quando eu ofereci argumentos como os acima. (Ele é geralmente seguido por uma lista de atividades dignas e relacionamentos valiosos apreciado por essa pessoa) A minha resposta é simples: "Eu não nego por um momento que sua vida é muito significativa, mas isso é verdade, apesar de seu ateísmo, não por causa disso! "

Os ateus têm certamente vidas significativas, mas isso é só porque suas crenças ateístas são falsas. Uma pessoa pode negar a existência de Deus e ainda ter uma vida significativa. Mas este fato não prova que a vida pode ter sentido sem Deus ou que uma pessoa que nega a existência de oxigênio e ainda goza de boa saúde quer provar que você pode ser saudável sem oxigênio. Isso só prova que as pessoas podem ter crenças em desacordo com a realidade, como se nós não soubéssemos disso.

Então, aqui estão algumas palavras finais para os ateus que por acaso leiam este artigo. Se você acredita que sua vida tem sentido, se você sentir que ela deve ter sentido, então você está absolutamente certo. Mas esse significado não pode vir de dentro de você, nem poderia vir de um universo fora que carece de qualquer propósito final ou valor. Ela só pode vir de um Criador pessoal transcendente que criou você, o universo ao seu redor, para o final mais espetacular: sua eterna glória e a alegria eterna do seu povo (Isaías 43:6-7, Romanos 11:36, Salmo 16 : 11, 1 Coríntios 02:09, Apocalipse 21:1-4).

Minha preocupação não é que você esteja enganado em pensar que você tem uma vida significativa. Não, a minha preocupação é que você não percebe o quão significativa é a vida que você tem. Então, eu oro para que você abraçe Aquele que escreveu a sua vida e que oferece gratuitamente a vida em toda a sua plenitude (Atos 03:15, João 10:10, João 20:30-31).

James Anderson é professor assistente de teologia e filosofia no Seminário Teológico Reformado em Charlotte. Ele é um ministro ordenado da Igreja Presbiteriana Reformada Associados e veio a RTS de Edimburgo, na Escócia. Sua tese de doutorado na Universidade de Edimburgo explorou a natureza paradoxal de certas doutrinas cristãs e as implicações para a racionalidade da fé cristã.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Um Entendimento Bíblico do Inferno


“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado...” (João 3:17-18). Deus é justo e reto, bem como amoroso, Ele não pode meramente fazer vistas grossas para o nosso pecado. Poderia Deus ser realmente justo se Ele não fizesse nada sobre os ataques contra Sua santidade?

q       O assunto do inferno é deveras muito difícil e aterrorizador;
q       Ele é um claro ensino da Bíblia e necessita ser entendido;
q       Não se pode ignorar algo que Deus revelou simplesmente porque ele é desconfortável.

O Inferno é Real

ü      Jesus repetidamente advertiu sobre o inferno. Por exemplo, veja Mateus 5:21-22, 27-30; 23:15,33.
ü      Negar a existência do inferno é, portanto, rejeitar a autoridade de Jesus.
ü      Seria estranhamente inconsistente aceitar Jesus como Senhor, mas rejeitar um aspecto de Seu ensino.
ü      Além do mais, isto seria colocar uma gigantesca falha moral no caráter de Cristo, se Ele ensinasse sobre a realidade do inferno quando na verdade ele não fosse um perigo para ninguém.

O Inferno é um Lugar

O inferno é sempre referido como sendo um lugar. A palavra grega usada para inferno nos Evangelhos é gehenna, uma transliteração da expressão hebraica, “Vale de Hinon”. Neste vale (que estava localizado fora de Jerusalém), sacrifícios humanos foram oferecidos aos falsos deuses em vários pontos na história de Israel (2 Reis 16:3; 21:6; 2 Crônicas 28:3; Jeremias 32:35). Mais tarde ele se tornou um “depósito de lixo” de Jerusalém, com um fogo que continuamente queimava consumindo seu entulho. Quando Jesus usou gehenna para se referir ao inferno, isto chamou a atenção dos seus ouvintes para este vale, e eles entenderam o terrível sofrimento que os ímpios experimentariam.

O Inferno é um Lugar de Castigo

Na conclusão de uma parábola, Jesus falou do servo fiel como sendo recompensado, mas disse que o infiel como sendo “cortado pelo meio e separado num lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 24:51). Ambos os Testamentos falam de “cortar pelo meio” como um castigo severo (Deuteronômio 32:41; Hebreus 11:37). Algumas passagens adicionais sobre o terrível castigo do inferno são Hebreus 10:29; 2 Tessalonicenses 1:8,9; Apocalipse 19:20; 20:10. As imagens de fogo no inferno não devem ser tomadas com um literalismo grosseiro, mas são descrições de terror e sofrimento do inferno com uma linguagem do presente mundo.

Há dois aspectos do castigo no inferno – a dor de perda e a dor de sentir.

A dor de perda é a ausência de tudo que é bom; mais significativamente é a separação de Deus. Isto não quer dizer que Deus não está no inferno; significa que aqueles no inferno não terão comunhão com Deus e não experimentarão nada de Seu amor, graça ou benção.

A dor de sentir é o sofrimento do tormento no corpo e na alma – a adição de castigo indesejado. Ambos destes aspectos do inferno são transmitidos por Jesus em Mateus 25:41, quando Ele diz aos perdidos “Apartai-vos de mim [a punição de perda], malditos, para o fogo eterno [a punição de sentir – tormento] preparado para o diabo e seus anjos”.

O Inferno é um Lugar de Separação
o       De Deus: Ef 2:12; 5:8; Rm 6:23; Mt 7:23; 8:12; 2 Ts 1:8, 9; Jd 13
o       De outros: Mt 8:12; 22:13; 25:30; Jd 13; Ap 22:14.

O Inferno é Eterno

No julgamento, Jesus dirá para os incrédulos: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eteno preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). Este verso mostra que o inferno não foi originalmente criado para os seres humanos, mas para Satanás e seus demônios. Por causa da rejeição da humanidade de Deus, aqueles que recusam vir a Cristo participarão do destino do diabo. Apocalipse 20:10 elabora ainda mais sobre o destino do diabo: “O Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos”.
Mateus 25:46 diz: “E irão eles [os ímpios] para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”. Jesus está traçando um paralelo entre os destinos dos ímpios e dos justos.

Os Estados Intermediário e Final

A última coisa que deve ser observada é que a Bíblia distingue entre o estado intermediário e o estado final. O estado intermediário é a separação do corpo e da alma de uma pessoa depois da morte, mas antes da ressurreição do seu corpo (a Bíblia ensina que tanto crentes como incrédulos experimentarão uma ressurreição do corpo). Este “estado intermediário” não é o purgatório, mas é a existência ou no céu com Deus (para os crentes) ou no Inferno excluído de Deus (para os incrédulos). O estado final é a existência dos crentes no novo céu na nova terra após a ressurreição, e para os descrentes a existência no Lago de Fogo (Inferno) depois de sua ressurreição.
A principal diferença entre o estado intermediário e o final é que durante o estado intermediário a pessoa não terá ainda o seu corpo ressuscitado, e no estado final todos terão seus corpos ressuscitados.
Sofrimento consciente (para os incrédulos) e benção (para os crentes) no estado intermediário é ensinado na parábola de Jesus do homem rico e Lázaro em Lucas 16:19-31. 2 Pedro 2:9 também ensina a existência consciente após a morte, mas antes do julgamento final e da ressurreição: “O Senhor sabe livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados”.
O assunto “inferno” “chocam nossas sensibilidades. Elas apresentam um destino envolvendo absoluta ruína e perda (morte e destruição), eterna ira de Deus (castigo), indizível aflição e dor (pranto e ranger de dentes), terrível sofrimento (fogo), e rejeição por Deus e exclusão de Sua bendita presença (trevas e separação)”.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Carta a um amigo Calvinista




Quem assiste a este vídeo de Caio Fábio, sem ter um pouco de leitura acerca das epistemologias “Calvinista e Arminiana”, certamente ficará impressionado com as elucubrações e articulações com as palavras que ele faz. Mas, como sei que vc tem conhecimento das epistemologias, logo percebeu o reducionismo metodológico usado por Caio Fábio, acerca da ciência teologia e suas áreas de estudo.

Caro amigo ao analisar a fala dele, gostaria de contemplar o vídeo inteiro, até porque não quero ser reducionista como ele foi e, usar de dois princípios da argumentação: argumentum ad ignorantiam e o argumentum ad hominen. Argumentarei contra o conteúdo da sua argumentação e contra ele.

1) Ele começa dizendo a partir do mediador, que a teologia é um problema pra alma humana. Engraçado que tudo que escreveu e continua escrevendo até hoje em seu site, são construções teológicas, ou seja, a teologia dele também seria um problema pra alma dos seus expectadores e leitores? Contradição, não é mesmo.

2) Ele vai falar do argumento linear, onde qualquer pensamento seja arminiano ou calvinista, será defendido a partir de escolhas de versículos, que quando ajuntados formam um pensamento lógico e construto. Ele não argumenta bem, porque a teologia sistemática e dogmática, que é uma das ferramentas da ciência teologia, constrói a soteriologia, a escatologia, a pneumatologia, dividindo a teologia em sistemas que explicam suas várias áreas. Por exemplo, muitos livros da Bíblia dão informações sobre os anjos. Nenhum livro sozinho dá todas as informações sobre os anjos. A Teologia Sistemática coleta todas as informações sobre os anjos de todos os livros da Bíblia e as organiza em um sistema: Angeologia. Isto é a Teologia Sistemática: a organização de ensinamentos da Bíblia em sistemas de categorias. Mas, Caio Fábio não é honesto, pois ele omite que não há somente o pensamento linear como ele chama, mas também o pensamento pontilinear, o que chamamos de teologia bíblica, ou seja, a teologia bíblica é aquela que analisará, por exemplo, a doutrina do Espírito Santo em Gênesis, em Josué, em Isaías, no evangelho de João, em Filipenses, as partes serão estudadas hermeneuticamente e exegeticamente. Aliás, meu irmão, a teologia bíblica e sistemática se complementa, pois no final elas harmonizarão o pensamento de um determinado assunto, em toda a Escritura, com seus diferentes estilos literários, época, contexto social, econômico e cultural.

3) Ele continua não sendo honesto, quando não diz que Calvino usou do método histórico-gramatical, que analisa o “sitz in leben”, ou seja, o conjunto histórico com suas nuances e a analise gramatical do texto, e que as Institutas da Religião Cristã é o mais confiável compêndio do pensamento cristão. A Escritura é inspirada e nada se iguala a Ela, mas homens são iluminados por Deus, para a própria interpretação.

4) Ele diz que a Bíblia é mãe da construção de qualquer pensamento, usando que, isolando textos pode-se criar o pensamento que quiser, mas não é o caso dos teólogos sérios calvinistas, pois usamos regras hermenêuticas, como: analogia da fé, ou seja, a Escritura interpreta a própria Escritura; quando temos dificuldade de interpretarmos um determinado texto, tentamos fazê-lo a partir de textos mais claros acerca do assunto tratado na passagem menos clara, o estudo histórico da passagem, o estudo gramatical e os estilos literários que há na Bíblia.

5) Ele também vai falar de um deus caprichoso, a partir do e-mail enviado a ele, onde comete outra contradição, pois ele critica o isolar de textos, mas o faz quando isola o texto quando profere o que Jesus disse “Eu sou manso e humilde”. Irmão, a Bíblia nos mostra um Deus soberano que faz tudo quanto lhe apraz e todas as coisas foram decretadas por ele, como também revela a responsabilidade do homem em sua livre agência. Se Deus é caprichoso porque escolheu você e não escolheu alguém da sua família, não seria eu ou o homem orgulhoso e caprichoso diante do Deus revelado nas Escrituras. A eleição não é para ficarmos acomodados, mas para vivermos uma vida santa e ativa diante deste Deus maravilhoso que simplesmente resolveu me retirar do império das trevas e me transportar para o reino do Filho de Seu amor. Eu encontro descanso no Deus Santo, Soberano, Gracioso, Justo, Misericordioso e Bondoso revelado nas Escrituras, pois Deus é tudo isso e não somente gracioso, pois senão ele seria um ídolo inventado por mim conforme minhas conveniências, o que Caio Fábio vacila em sua argumentação. Ele infere que se o Deus da Bíblia for assim Ele é arrogante, pelo fato de fazer tudo para Sua glória. Deus é egocêntrico, porque faz tudo para Sua glória. Paulo nos diz "quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, façais para a glória de Deus".  E de fato Deus faz tudo para Sua Glória e daí. Posso conhecer ao Senhor na revelação proposiconal das Escrituras, mas não depreendê-lo totalmente.

6) Ele diz que a eleição é um arbítrio conceitual. Acho que ele se alude que a teologia é um conjunto de conceitos acerca de Deus, mas a Bíblia não é a revelação proposicional do Deus trino e Seu ser, consequentemente Sua forma de agir.  Não podemos nos esquecer caro irmão que Deus é uma pessoa que conhecemos por declarações conceituais e proposicionais. Quem é o Jeferson? Vou responder por sentenças e proposições. Mas, no que concerne a eleição e o arbítrio, quem disse que temos no que concerne a escolha de Deus? E vos vivificou, estando vós mortos em seus delitos e pecados Ef 2.1. O verbo “estar” está no perfeito no tempo verbal grego, que significa algo que aconteceu no passando com efeitos futuros, a saber, Adão pecou e morreu fisicamente e espiritualmente, somos alcançados pelas conseqüências de Adão, em Cristo meu estado é outro o de “vivo”. Esse foi o erro de Ricardo Gondim, com sua teologia relacional, dizendo que Deus é amor e tudo se fundamenta no amor de Deus e sendo assim Deus é um ser em processo, ou seja, ele não conhece toda a história e se frustra com os erros do homem, mas continua o amando. O fundamento de Deus é Ele mesmo e todo seu ser. Grifo meu. Não posso limitar Deus dentro dos meus sentimentos.

7) Ele chama a predestinação de “fatalismo”. A Bíblia como disse antes, nos revela a soberania de Deus e a responsabilidade humana, QUE NÃO SÃO EXCLUDENTES, MAS COMPLEMENTARES. A idéia humanista de fatalismo é um Deus que predestinou e pronto, mas dentro do contexto bíblico a eleição positiva e negativa não é fatalista, pois quantos textos a Bíblia nos mostra que o homem deve agir diante das prescrições do Senhor. Josué mesmo disse “Escolhei hoje a quem sirvais, eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Os arminianos vão usar este texto pra disser, o homem é quem escolhe e de certa forma é verdade, mas no contexto mais amplo das Escrituras, Deus decretou que eu iria responder sim para seu chamado de salvação, pois Ele usa minhas volições, que outrora eram cegas, mas com a vida implantada em mim por Ele eu respondo sim “chamamos isso de Concursus que é o suporte contínuo de Deus para a operação de todas as causas secundárias (sejam elas livres, contingentes ou necessárias), para o cumprimento de Seus santos propósitos. O teólogo Louis Berkhof define-o como "a cooperação do poder divino com os poderes subordinados, de acordo com as leis pré-estabelecidas para sua operação fazendo-as atuar, e que atuem precisamente como o fazem." Caio chama a predestinação de fatalismo encurralante, mas quem foi escolhido para salvação será chamado, justificado, santificado e glorificado, mas quem foi preterido será perdido, e existe uma pregação mais refrigeradora e temerosa, pois o que a revelação nos diz é “Deus amou o mundo que enviou o Seu único filho, para quem crê não pereça, mas tenha vida eterna”, não tem como fugir da mensagem do evangelho gracioso e justo. Como diz Paulo em Romanos 9, “quem és tu para discutires com Deus, pois Ele é o oleiro e eu o barro”.

8) Ele diz que Calvino é extremamente limitado na doutrina da predestinação por seu contexto cientifico, filosófico e até por sua limitação do funcionamento universal das leis. Ele diz que Calvino leu a palavra predestinação, soberano e desenvolveu esta doutrina. Meu caro, que analise pobre de Caio Fábio, prova de que nunca leu as Institutas, muito provavelmente fez leituras caricatas, ou seja, fala do que ouviu falar, não foi nas fontes primárias. Ele chama Calvino de pobre Calvino, é hilário.

9) Ele diz que o calvinismo é reducionista, e ler a Bíblia a partir de Calvino é reducionismo idolátrico, então ele diz que a chave hermenêutica dele é Jesus e não um sistema. Nunca os reformadores disseram que temos que ler a Bíblia a partir do pensamento calvinista, mas Deus nos criou como seres pensantes e, Calvino indubitavelmente é um grande pensador das Escrituras, que foi influenciado por Agostinho, que não foi tão bom exegeta como Calvino, mas foi o primeiro pai da igreja a dizer que a salvação é pela graça. Meu caro, Agostinho era um hermeneuta da escola de Alexandria, que por sua vez era muito alegórica, mas foi um grande pensador indiscutivelmente. Quando Caio Fábio diz que sua chave hermenêutica é Jesus e somente Jesus e que devemos olhar para o Novo Testamento, ele o pobre Caio, cai na própria armadilha do reducionismo, pois meu caro eu devo olhar para toda a Escritura, inclusive para Jesus, que fez várias alusões ao V.T. Minha chave hermenêutica é a Bíblia que interpreta a própria Bíblia, com auxílio do Espírito Santo, autor original.

10) Ele diz, esqueça Calvino, mas convoca que a pessoa do e-mail que leia tudo em seu site e assista vem e vê tv, o seu programa. Estranho, mais uma vez não foi honesto, pois devo ler tudo e tudo deve passar pelo crivo das Escrituras e certamente as ferramentas teológicas me ajudarão a entendê-las e vivê-las melhor, para glória de Deus.

Entendo amargura na fala de Caio Fábio, depois de tudo que aconteceu com ele. Desprezo pela teologia, mas fazendo teologia, a ironia gritante com a doutrina, mas ensinado somente Jesus como ele diz, e isso é o que? Um amontoado de palavras acerca de Cristo, ou um conjunto de ensinamentos e idéias.

O caminho da graça, fácil de entender o Cristo pregado por Caio Fábio atualmente, um Deus que é somente exala graça, como explicaria que este Cristo julgará vivos e mortos, e que separará o trigo do joio, e que certamente salva seus escolhidos pela graça.

Quando o homem passa por grandes frustrações na vida, normalmente ele usa de mecanismo de defesa, chamado de racionalismo invertido, ou seja, ele racionaliza opostamente ao que outrora ele defendia, meio pelo qual suaviza o sofrer mais profundo psiquicamente falando.

Abraço,

rev. Jeferson Roberto

terça-feira, 2 de abril de 2013

Perdendo o Bom Senso




por Olavo de Carvalho

Assustado com o número de mensagens falsas altamente comprometedoras que circulam em seu nome na internet, o deputado Jean Wyllys lançou do alto da sua tribuna na Câmara as perguntas desesperadas: "Será que as pessoas perderam todo o senso? Que é que está acontecendo neste país?"

São perguntas que faço há pelo menos vinte anos. Mas não foi só nisso que antecedi o sr. Wyllys. Também foi vinte anos atrás que o meu nome passou a circular como signatário de mensagens nazistas, terroristas, racistas, anti-semitas, o diabo. A isso veio acrescentar-se um caudal inesgotável de lendas urbanas que me apresentavam como espião da CIA ou do Mossad, como beneficiário de verbas do Partido Republicano, como agente comunista enrustido, como mentor secreto do Opus Dei e dos skinheads e, last not least, como guru de uma perigosa seita gnóstica.

 O sr. Wyllys está choramingando por coisa pouca. Em matéria de character assassination, ele mal sentiu o gostinho de um veneno que há décadas me é servido em doses oceânicas. Mas a nossa diferença não é só quantitativa. No caso dele, a mídia solícita e um punhado de ONGs correram para desmentir as mensagens, passando a reputação do deputado por um lava-rápido do qual saiu brilhando com o fulgor beatífico das vítimas inocentes; ao passo que, quando o atingido era eu, até figuras mais conhecidas como os srs. Leandro Konder, Emir Sader e Mário Augusto Jacobskind, à esquerda, ou os srs. Rodrigo Constantino, Anselmo Heydrich e Janer Cristaldo, à direita, se apressaram em legitimar o acervo lendário anônimo, aprimorando-o e acrescentando-lhe novas invencionices de sua própria criação.

A coisa avolumou-se a tal ponto que ultrapassou toda possibilidade de contestação ou revide. Embora o número de pessoas de nível universitário envolvidas nessa operação subisse a vários milhares, caracterizando um fenômeno sociológico de dimensões alarmantes, o sr. Wyllys achou mais escandaloso e mais significativo o fato de que tratamento similar lhe fosse aplicado homeopaticamente, em dose única e diluição infinitesimal.

Quando ele pergunta o que há de errado na mente dos brasileiros, deveria aferir antes de tudo o seu próprio senso das proporções. De qualquer modo, as perguntas valem por si. A vida na sociedade baseia-se na aceitação geral e costumeira de certos princípios tácitos, que servem de critério de julgamento nos instantes de confrontação e dúvida. É o que Antonio Gramsci, dando ao termo uma conotação peculiar, denominava "senso comum".

O próprio Gramsci reconhecia que o senso comum predominante nas nações ocidentais refletia, grosso modo, a cosmovisão cristã, mesmo em versão laicizada e amputada de quaisquer referências religiosas.

A demolição desse senso comum tornou-se desde os anos 60 o objetivo prioritário do combate cultural revolucionário. Mas nem de longe imaginem que "combate cultural" significa uma luta de ideias, uma disputa entre eruditos. Não significa nem mesmo propaganda ou "doutrinação".

As pessoas que me escrevem queixando-se da "doutrinação esquerdista" que seus filhos recebem nas escolas, venho há anos tentando explicar que os bons tempos da doutrinação e da propaganda já acabaram, que há décadas o sistema educacional ameaça a integridade mental das nossas crianças com algo de bem mais perverso e temível: um conjunto de técnicas de manipulação comportamental que permitem moldar ou modificar atitudes e hábitos  diretamente, sem passar pela inculcação de idéias e crenças, isto é, sem qualquer apelo ao pensamento consciente.

Já falei disso no meu livro de 1996, O Jardim das Aflições, e recentemente a Vide Editorial publicou, a conselho meu, a obra-padrão sobre o assunto: Maquiavel Pedagogo ou O Ministério da Reforma Psicológica, de Pascal Bernardin.

 A doutrinação comunista clássica baseava-se nas artes da dialética, da retórica e da propaganda, e procurava inculcar na mente do público uma concepção do mundo, da história e da política, o que não era possível sem mostrá-la como alternativa a alguma concepção concorrente, alimentando discussões.     

As novas técnicas não têm nada a ver com retórica e propaganda. Baseiam-se inteiramente nas chamadas "ciências da gestão": engenharia social, marketing, gerenciamento, psicologia comportamental, programação neurolinguística, Storytelling, Social Learning e Reality Building.

Um dos efeitos mais diretos da aplicação dessas técnicas em escala de massas é a disseminação epidêmica de um estado crônico de "dissonância cognitiva", um quadro mental descrito pioneiramente por Leon Festinger em 1957. Dissonância cognitiva é conflito entre as crenças e a conduta.

Dissonâncias cognitivas temporárias são normais e até desejáveis no desenvolvimento humano. Quando o quadro se torna crônico, rompe-se a unidade da consciência moral e o indivíduo tem de buscar fora dele mesmo, na aprovação grupal ou na repetição de slogans ideológicos, um sucedâneo da integridade perdida. Ao espalhar-se entre a população, a incapacidade de julgar realisticamente a própria conduta resulta na queda geral do nível de moralidade, assim como na disseminação concomitante da criminalidade e das condutas destrutivas, mas isso, segundo os engenheiros sociais, é um preço módico a pagar pela dissolução do senso comum e pela implantação dos novos modelos de conduta desejados.

Antes de posar de vítima da falta de consciência moral dos outros, o sr. Wyllys deveria perguntar se o próprio movimento que ele representa não tem utilizado abundantemente essas técnicas para modificar a conduta de crianças, adolescentes e adultos.