Senhores Atenienses, Ouçam!

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

VÁRIAS DIREÇÕES? VÁRIAS EPISTÉMES?


Acredito e defendo pressuposicionalmente à afirmação bíblica que, "No princípio criou Deus os céus e a terra". Com está afirmação temos a certeza absoluta que uma criação "complexa, completa e inteligente" foi indubitavelmente criada por um ser complexo, complexo, inteligente e perfeitamente perfeito. Esta é uma verdade epistemológica que nos remete para o seguinte axioma "toda criação inteligente produz conhecimento de sua fonte originadora, a saber, Deus. Não obstante, com a queda o homem começou a desenvolver o conhecimento a partir de si mesmo, trocando a verdade pela a injustiça na linguagem paulina.

Todas as áreas do saber, com suas respectivas epistemologias, refletem algumas vezes verdades da "VERDADE ABSOLUTA". Ao pensar na natureza da verdade, encontramos pela graça comum de Deus e a imagem e semelhança impressa no homem, que o injusto tem no sentido lato lampejos de verdade. Mas, toda a epistemologia seja na área de humanas ou exatas, estão debaixo da epistéme revelacional bíblica.

O teólogo, ministro, político, jornalista e estadista Abraham Kuyper falando da soberania das esferas coloca muito bem que a fé não pode ser compartimentalizada, ou seja, mesmo vivendo em um mundo caido, o Senhor Deus é Senhor de toda ordem criada e, localizar Deus somente na vida religiosa é um reducionismo irracionalmente anti-bíblico. Como escreve Michael Horton "negar Deus em todas as esferas da vida humana é negar o próprio Deus".

Toda a realidade é realidade de Deus, no sentido que Ele é Senhor de tudo, pois quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, façais para a glória de Deus (I Co 10.31). Por isso, pensar em filosofia, em psicologia, em antropologia, em sociologia e toda e qualquer área epistémica é pensar a partir da cosmovisão teo-referente, ou seja, a referência primeira e absoluta é o Senhor que se revela proposicionalmente.

Talvez você se pergunte, mas esta cosmovisão nunca vingará no tempo presente, pois a humanidade é caida. Entretanto, temos que expor a verdade holística que refuta o legalismo e o antinomismo dentro das igrejas, como também propagar a fé reformada para àqueles que não a conhecem. E saber que um dia haverá novos céus e nova terra, onde todos não somente perceberão Deus em tudo, mas viverão Deus em todas as coisas.      

rev. Jeferson Roberto         

A IMPORTÂNCIA DA TEOLOGIA NA APOLOGÉTICA

Já há algum tempo, o renomado apologista Jan Karel Van Baalen, em sua importante obra, O caos das seitas, nos alertou acerca de um problema que a igreja evangélica no mundo vem enfrentando. Notadamente, Van Baalen ressalta o desconhecimento das doutrinas bíblicas fundamentais por parte dos cristãos em contraposição ao empenho incansável dos adeptos das seitas no estudo metódico de suas doutrinas e também das doutrinas daqueles a quem pretendem convencer. Todo aquele que já teve a experiência de dialogar com um sectário pôde perceber que ele domina os fundamentos de sua crença, e também a doutrina dos divergentes. Raramente esse quadro é pintado de outra forma.

Confirmando os apontamentos de Van Baalen, verificamos que muitos membros de nossas igrejas se esquivam da abordagem aos adeptos de seitas pela admitida incompetência de dialogar com eles, a fim de ganhá-los para Cristo. Paulo, entretanto, observou a importância do estudo bíblico quando recomendou: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes”(Tt 1.9; grifo do autor).

A expressão “a fiel palavra, que é conforme a doutrina” pode ser interpretada como um fruto gerado pelo conhecimento teológico. E a expressão “convencer os contradizentes”, pode ser interpretada como um ato de evangelizar pessoas que professam uma fé distinta do genuíno cristianismo.

Será que somos hábeis em conduzir um sectário a Jesus por meio da Bíblia? Qual é a importância da teologia na apologética? Vejamos:

A relação entre a teologia e a apologética

A apologética cristã é uma disciplina da teologia cuja finalidade é defender os princípios bíblicos por ela (teologia) expressos. Assim, a apologética visa combater os desvios doutrinários identificados nas diversas disciplinas teológicas, especialmente nas doutrinas essenciais, como a natureza divina (Pai, Filho e Espírito Santo) e a encarnação, morte e ressurreição de Cristo, entre outras.

Observando esta relação, podemos concluir que a apologética atua em função da teologia. É porque os princípios doutrinários existem e são distorcidos que a apologética é necessária. Logo, todos os elementos da apologética dependem e convergem para a teologia. Com isso em mente, entendemos que a apologética será conduzida de acordo com a teologia que quer defender. Portanto, se alguém possuir algumas doutrinas distorcidas como base, sua apologética seguirá a mesma tendência. Diante destes pressupostos, vejamos algumas categorias da apologética e como essas categorias se relacionam com as doutrinas teológicas:

Apologética clássica

Este tipo de abordagem trabalha com o principal pressuposto teológico, isto é, a existência de Deus. É essa linha apologética que vai explorar os argumentos comprobatórios da existência divina. Os principais argumentos são:


a.) Cosmológico: uma vez que cada coisa existente no Universo, deve ter uma causa, deve haver um Deus, que é a última causa de tudo.
b.) Teleológico: existe um objetivo, um propósito para a criação do Universo e do ser humano.
c.) Ontológico: Deus é maior do que todos os seres concebidos porque existe na mente do homem um conhecimento básico da existência de Deus.

Os teólogos que se destacaram como apologistas clássicos foram: Agostinho, Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino.

Apologética evidencial

Como já podemos inferir do próprio nome, esta linha apologética procura defender as doutrinas teológicas ressaltando as evidências que as envolvem, tais como: a infalibilidade da Bíblia, a veracidade da divindade de Cristo e sua ressurreição, entre outras. Um teólogo que representa bem esta classe de apologistas em nossos dias é Josh McDowell, autor do livro (um best seller) Evidências que exigem um veredicto.

Apologética histórica

Esta classe de apologética enfatiza as evidências históricas. Seus representantes acreditam que a existência de Deus pode ser provada com base apenas na evidência histórica, porém, isso não significa que não lancem mão de outros artifícios. Geralmente, o fundamento deste tipo de abordagem são os documentos do Novo Testamento e a confiabilidade de suas testemunhas. Podemos encontrar teólogos expoentes da apologética histórica nos primórdios da igreja, como Justino Mártir e Tertuliano.

Apologética experimental

Este tipo de apologética, geralmente, é apresentada por fiéis que arrogam para si experiências religiosas pessoais e, às vezes, exclusivas. Assim, alguns apologistas rejeitam este tipo de abordagem por seu caráter excessivamente místico e alegam que tais experiências são comprobatórias apenas para os que nelas crêem ou delas compartilham. Em suma, a apologética experimental se apóia na experiência cristã como evidência do cristianismo e está relacionada à teologia do leigo; ou seja, à teologia que não é acadêmica, mas popular.

Um ponto negativo desta abordagem é que ela se apresenta de forma um tanto quanto subjetiva. Ou seja, é difícil sentenciá-la como verdade ou fraude. O seu ponto positivo, porém, é que a nossa crença precisa, de fato, ser vivida, experimentada, do contrário não passará de teoria.

Apologética pressuposicional

Esta abordagem é chamada assim porque parte de uma pressuposição para construir sua defesa... O “pressuposicionalismo” pode ser assim classificado:

a.) Revelacional: todo o entendimento da verdade parte da pressuposição da revelação de Deus e da legitimidade da Bíblia em expor esta revelação.
b.) Racional: a pressuposição básica gira em torno da coerência do argumento. Se o cristianismo arroga para si a posição de única verdade, então isso implica em dizer e provar que todos os demais sistemas são falsos.
c.) Prático: a pressuposição aqui é a de que somente as verdades cristãs podem ser vividas.

Os teólogos que se destacaram como apologistas “pressuposicionalistas” foram: Cornelius Van Till e John Carnell.

A teologia como um baluarte contra o erro

Como podemos confirmar, independente do tipo de apologética que esteja sendo exercido, o fato é que todas se relacionam com os fundamentos da teologia.

Sabemos que a grande ocorrência da apostasia em nosso meio envolve seitas pseudocristãs, ou seja, aquelas que mais se assemelham com o cristianismo. Isto se deve ao emprego distorcido dos fundamentos teológicos facilmente aceitos entre os crentes incautos. É como se fosse um disfarce do cristianismo, uma maquiagem para a verdade cristã.

Quando um crente encontra-se desabilitado para defender sua fé, ele fatalmente está propenso ao engano. Disse Charles Hodge: “Que ninguém creia que o erro doutrinário seja um mal de pouca importância. Nenhum caminho para a perdição jamais se encheu de tanta gente como o da falsa doutrina”. A tragédia espiritual de inúmeros crentes é que eles não atentam para isso.

O apologista Walter Martin também alertou que é conhecendo a verdadeira nota que conseguimos identificar a falsa. É possível ser um teólogo e não ser apologista, embora isso não seja plausível. Entretanto, é impossível ser um apologista sem ser um teólogo! O conhecimento das doutrinas fundamentais da Bíblia é o maior baluarte contra o erro. Todo o engodo está na deturpação das Escrituras, na distorção da doutrina. Uma teologia voltada para a apologia certamente evitaria os modismos que têm causado escândalo entre os evangélicos em nosso país. Vejamos o que o apóstolo Paulo orientou a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16; grifo do autor). A Tito, ele declarou: “Em tudo, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, sinceridade” (Tt 2.7; grifo do autor).

O nosso desejo e oração é para que, assim como Paulo, os líderes de nossas igrejas também se dediquem em orientar e conscientizar seus colaboradores sobre a importância da teologia na defesa da fé de seus membros. Somente assim, e com o auxílio do Espírito Santo, conseguiremos manter singelas as verdades eternas da Palavra de Deus.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A CAUSA PRIMEIRA

Se perguntássemos como surgiu tudo que existe, na tentativa de saber a origem de todas as coisas, chegaríamos à conclusão de que não parece haver uma resposta convincente para essa pergunta. Quer ver? Os cientistas dizem que tudo surgiu a partir de uma explosão, o famoso big bang. Essa explosão teria dado origem ao Universo e, conseqüentemente, a tudo o mais. Porém, poderíamos continuar perguntando: “E de onde surgiu o big bang?” Os próprios cientistas responderiam que o big bang surgiu do nada. Em outras palavras, para eles, a “causa primeira” foi o nada. O nada teria criado o tudo.

O crente, porém, responderia que, se tudo realmente surgiu de uma explosão, do big bang, como declaram os cientistas, então foi Deus quem criou essa explosão. Não é uma resposta melhor? Não para o cientista, que aproveitaria a deixa e perguntaria ao crente: “E de onde surgiu Deus?” É nessa hora que devemos responder o seguinte: “De lugar nenhum, pois Deus sempre existiu. Ao contrário do Universo, que teve necessariamente um início, início esse que vocês chamam de big bang”.

O meu objetivo ao escrever estas linhas é apresentar evidências para a declaração acima, qual seja, de que o Universo teve um início (seja esse início chamado ou não de big bang), enquanto que Deus sempre existiu.

Que o Universo teve início, pode ser provado pelo seguinte raciocínio: se o Universo fosse eterno, não poderia obviamente ter início e nem fim, já que essa é a característica fundamental de alguma coisa que seja eterna. Mas note que o Universo é composto de elementos materiais, e matéria deteriora. Logo, tem fim. Se tem fim, não é eterna, porque está presa ao tempo. E, se está presa ao tempo, também teve um começo, um início. Quanto a isso os cientistas não podem discordar, pois eles mesmos têm chamado esse início de big bang, a “grande explosão”. O interessante é que os cientistas são obrigados a admitir um início para o Universo por causa, dentre outras coisas, da chamada segunda lei da termodinâmica. A termodinâmica é o ramo da Física que estuda matéria e energia. Sua segunda lei diz que todos os elementos materiais têm um fim, justamente porque deterioram. Não é à toa que a segunda lei da termodinâmica também é conhecida como lei da entropia (entropia é a tendência ao estado de degradação, destruição). Você vê a lei da entropia agindo o tempo todo sobre seu carro, sua roupa e seu corpo, só para citar alguns exemplos.

Ora, a lei da causalidade, outra lei científica, diz que “tudo que teve um começo teve uma causa”, e a lei da causa e efeito, também lei científica, complementa a lei da causalidade quando diz: “A causa tem de ser maior do que o efeito”. Trocando em miúdos, algo complexo não pode surgir de algo simples. Assim como subentendemos, ao ver um dicionário, que um ser humano o produziu, pois, além de exigir um trabalho manual para sua confecção, também contém informações inteligentes, devemos subentender que, se o Universo teve um começo – algo que os próprios cientistas afirmam –, então ele teve uma causa (conforme nos ensina a lei da causalidade), e essa causa tem de ser “maior”, mais complexa do que o próprio Universo (de acordo com a lei da causa e efeito).

Uma causa mais complexa do que o Universo? Sim, porque, para ter criado o Universo do nada, tem de ser uma coisa – ou alguém – inimaginavelmente poderosa. Neste ponto devo acrescentar que realmente não pode ser “uma coisa”, pois qualquer um pode notar que o Universo segue um planejamento: há uma ordem sendo seguida pelos planetas, em movimentos de rotação e translação, e há estações que se alternam periodicamente; se formos citar apenas o homem, o funcionamento dos órgãos do corpo humano é um elemento mais do que suficiente para provar a tese de que há um
planejamento fora e dentro de nós. Se há planejamento, há um arquiteto que planejou. Se há planejamento, há uma mente inteligente que planejou (“coisas” não planejam; “energia” também não planeja). Logo, a causa primeira, mais complexa do que o Universo, só pode ser alguém assombrosamente inteligente.

Eu acrescentaria que esse ser inteligente tem interesse no ser humano, visto que não somente o criou, mas também o colocou em um lugar propício à sua sobrevivência. Se tivéssemos sido colocados na Lua, por exemplo, estaríamos mortos. Fomos colocados na Terra, e com recursos para nos alimentarmos, matarmos a sede, enfim. Para terminar, menciono a famosa teoria da relatividade, de Albert Einstein. Essa teoria afirma que matéria, espaço e tempo são elementos correlacionados, ou seja, são interdependentes. Você não pode ter um sem ter os outros. Isso significa que a matéria não foi criada sozinha, pois nasceu ocupando um espaço físico e sujeita ao tempo. Ora, deduzimos disso que a causa primeira, que criou a matéria, o espaço e o tempo deve, obrigatoriamente, ser imaterial (pois já existia quando criou a matéria, o que significa que não existia em uma forma material e, portanto, também não ocupava um espaço físico) e deve, obrigatoriamente, ser eterna (pois já existia quando criou o tempo).

Resumindo tudo que dissemos até aqui, a causa primeira é um ser mais complexo que o Universo; inimaginavelmente poderoso, assombrosamente inteligente, interessado no ser humano, imaterial e eterno. Quem se enquadra perfeitamente nessa descrição? Apenas Deus.

A IMORALIDADE DA NEUTRALIDADE

Dr. Greg L. Bahnsen

Todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento devem ser encontrados em Cristo; assim, se alguém for tentar chegar à verdade aparte de um compromisso com a autoridade epistêmica de Jesus Cristo, ele será roubado através de uma vã filosofia e enganado por sutilezas astutas (veja Colossenses 2:3-8). Consequentemente, quando o cristão se aproxima da erudição, da apologética ou do campo dos estudos, ele deverecusar firmemente aquiescer às demandas errôneas da neutralidade em sua vida intelectual; ele nunca deve consentir em render suas crenças distintivas religiosas “por um tempo”, como se alguém pudesse através disso chegar a um conhecimento genuíno de maneira “imparcial”. O princípio da sabedoria é o temor do Senhor (Provérbios 1:7).

Tentar ser neutro nos seus esforços intelectuais (seja a investigação, argumentação, raciocínio ou ensino) é equivalente a tentar apagar a antítese entre o cristão e o incrédulo. Cristo declarou que o primeiro foi separado do último pela verdade da palavra de Deus (João 17:17). Aqueles que desejam ganhar dignidade aos olhos dos intelectuais do homem usando o emblema de “neutralidade”, somente farão isso à custa de recusar ser separado pela verdade de Deus. No reino intelectual eles seriam absorvidos para o mundo, de forma que ninguém poderia lhes dizer a diferença entre o seu pensamento e suposições dos pensamentos e suposições apóstatas. A linha entre o crente e o incrédulo seria obscurecida.

Tal indiscriminação na vida intelectual de uma pessoa não somente impede o conhecimento genuíno (cf. Provérbio 1:7) e garante o engano vão (cf. Colossenses 2:3-8), mas também é absolutamente imoral.

Em Efésios 4:17-18, Paulo ordena aos seguidores de Cristo que eles “não mais andem como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração”. Os crentes cristãos não devem andar, nem devem se comportar ou viver, numa forma que imite o comportamento daqueles que não são redimidos; especificamente, Paulo proíbe o cristão de imitar a vaidade[1] de mente dos incrédulos. Os cristãos devem rejeitar pensar ou raciocinar de acordo com uma tendência ou perspectiva mundana. O agnosticismo culpável dos intelectuais do mundo não deve ser reproduzido por cristãos, alegando-se neutralidade; esta perspectiva, esta abordagem da verdade, este método intelectual evidencia um entendimento obscurecido e um coração duro. Ele recusa se curvar diante do Senhorio de Jesus Cristo em todas as áreas da vida, incluindo a erudição e o mundo do pensamento.

Uma pessoa deve fazer esta escolha básica em seu pensamento: ser separado pelaverdade de Deus ou ser alienado da vida de Deus. Não se pode escolher os dois caminhos. Uma pessoa será separada, posta contra, ou alienada do mundo ou da palavra de Deus. Ele permanecerá em contraste com o método intelectual que ele recusa seguir.
Ele recusará seguir a palavra de Deus ou recusará seguir a tendência vã dos gentios. Ele distingue a si mesmo e ao seu pensamento por contraste para com o mundo ou para com a palavra de Deus. O contraste, a antítese, a escolha é clara: ser separado pela palavra verdadeira de Deus ou ser alienado da vida de Deus. Ou se tem “a mente de Cristo” (1Coríntios 2:16) ou “a mente vã dos gentios” (Efésios 4:17, versão do autor). Ou “levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Coríntios 10:5) ou continuamos como “inimigos [de Deus] no entendimento” (Colossenses 1:21).

Aqueles que seguem o princípio intelectual da neutralidade e o método epistemológico da erudição incrédula não honram o soberano Senhorio de Deus como deveriam; como resultado, o raciocínio deles é tornado vão (Romanos 1:21). Em Efésios 4, como temos visto, Paulo proíbe o cristão de seguir esta tendência vã. Paulo continua ensinando que o pensamento do crente é diametralmente contrário ao pensamento ignorante e obscurecido dos gentios. “Mas não foi assim que aprendestes a Cristo” (v. 20).
Enquanto os gentios são ignorantes, “a verdade está em Jesus” (v. 21). Diferentemente dos gentios que são alienados da vida de Deus, o cristão colocou de lado o velho homem e foi “renovado no espírito do seu entendimento” (v. 22-23). Este “novo homem” é distinto em virtude da “santidade [procedente] da verdade” (v. 24, versão do autor). O cristão é completamente diferente do mundo quando diz respeito ao intelecto e erudição; ele não segue os métodos neutros da incredulidade, mas pela graça de Deus ele tem novos comprometimentos, novas pressuposições, em seu pensamento.

Portanto, o cristão que busca a neutralidade em seu pensamento na realidade se encontra num esforço de apagar o fato de que ele é cristão! Negando seu compromisso religioso distintivo, ele se reduz aos padrões apóstatas de pensamento e é absorvido pelo mundo da incredulidade. Tentar encontrar um compromisso entre as demandas da neutralidade do mundo (agnosticismo) e as doutrinas da palavra de Cristo resulta na rejeição do Senhorio distintivo de Cristo, ao destruir o grande abismo que existe entre o pensamento do velho homem e aquele do novo homem.

Nem sequer tal compromisso é possível. “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mateus 6:24). Não deveria ser surpresa que – num mundo onde todas as coisas foram criadas por Cristo (Colossenses 1:16) e são sustentadas pela palavra do seu poder (Hebreus 1:3), e onde todo conhecimento está, portanto, depositado naquele que é A Verdade (Colossenses 2:3; João 14:6) e que deve ser o Senhor sobre todo pensamento (2Coríntios 10:5) – a neutralidade seja nada menos que imoralidade. “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

Você tem a coragem de defender seus distintivos cristãos na erudição, apologética e nos estudos, ou você está tentando eliminar o contraste entre o pensamento cristão e o apóstata ao seguir as demandas da neutralidade? Posta na perspectiva bíblica, esta pergunta pode ser reformulada da seguinte forma: o seu pensamento opera debaixo do Senhorio de Jesus Cristo ou você tem se tornado um inimigo de Deus através de padrões de pensamentos neutros, agnósticos e incrédulos? Escolha hoje a quem você servirá!